Uma grande perda
Já em algumas ocasiões passadas eu havia declarado não ser utilizador de redes sociais para além do Facebook, e somente de forma consultiva. Entretanto essa não era a total realidade do momento.
Enquanto o meu uso do Facebook continua bastante esporádico, eu assumo que perco às vezes alguns bons minutos dos meus fins de semana vendo vídeos de pedreiros montando casas desde a sua fundação até o telhado, e peripécias de um maluco com veículos diversos no subúrbio carioca. Mas isto não se compara ao (péssimo) hábito de checar o finado Twitter.
Não emito um pio sequer naquela rede. Primeiro porque não quero, principalmente considerando o risco de ter meus dados nas mãos de Elon Musk. Segundo porque não podia pelo menos até o dia de hoje, já que sou - e pelo visto, fui - usuário assíduo do Nitter.
Este é um projeto já antigo que permitia a visualização do Twitter sem toda a poluição que já acompanha a rede muito antes de Musk tomar suas rédeas. Por um curto momento ele foi derrubado por conta das mecânicas de backend instauradas pela rede pós-mudança de gerência. Mas estas foram eventualmente contornadas e o projeto voltou com a corda toda.
Por um curto período eu tentei usar o BlueSky. Mas este consegue ser ainda pior com todo o seu viés estadunidense e principalmente "liberal" no sentido político daquela nação. Era impossível fazer coisas como acompanhar as minúcias da guerra da Ucrânia ou as polêmicas em torno de um Big Brother Brasil por meio de um produto odiado por aqueles que os criaram por não ter se tornado um hub de libertarianismo e discussões sobre criptomoedas.
Com o Nitter minha vida tornou-se muito mais fácil neste sentido. Enquanto era prometido que o projeto eventualmente permitiria ter feeds com contas seguidas como no Twitter, o método de ter que usar o motor de busca para procurar informações ou até mesmo ir diretamente ao perfil de uma ou mais pessoas para acompanha-las era muito mais salutar.
Aparentemente tudo isso acabou hoje. Uma carta de "cease and desist" enviada para o Nitter acabou com o projeto e todos os seus mirrors. Dificilmente o projeto será retomado após um golpe como este.
É mesmo uma pena, além de (mais uma) evidência de como a internet já morreu e o que temos agora são resquícios de consciência de um zumbi que se recusa a apodrecer. Sim, temos algumas alternativas e aceito que os meus problemas com o BlueSky são tão específicos que me fazem ser um ponto bastante fora da curva. Mas é impossível não sentir uma enorme tristeza quando uma pequena ponta de romantismo como a que o Nitter oferecia, "pirateando" o Twitter para aqueles que preferiam oferecer um dedo do meio a Musk ao invés de se deixar levar pelos seus esforços de trancar a rede dentro de si mesma, perde-se de forma tão esdrúxula.