Pega, mata, e come

Pés no chão

Não me considero uma pessoa de grandíssimas ideias. Posso sempre traçar uma linha entre as coisas que eu acredito e defendo, e algo que eu já li ou ouvi no passado por uma pessoa cujo impacto no mundo foi bem além de contribuir para a insanidade virtual em que vivemos. Mas sou bastante convicto em meus ideais e faço meu melhor para não "deitar" frente a desafios lançados contra estes.

Volto assim ao que disse em meu primeiro post neste espaço quando falei sobre preferir função à forma. Apesar de prolixo, eu sou ríspido. Apesar de ter um tom manso, eu sou agressivo. Apesar de tentar ser um, eu acabo me tornando outro.

Acabo por sofrer ao meu ver da hiper consciência forjada em pessoas "racializadas" seja lá de onde vierem ou onde estiverem. Uma noção muito presente da sua própria força e vigor físicos, e como estes já dão base para a intimidação alheia principalmente dos corpos brancos com quem eu convivo. Por isso é preciso ser mais dócil, mais compreensivo, (muito) menos vigoroso e assertivo com as palavras e principalmente com as ações físicas.

Foi-me incutido isso desde a infância. E luto constantemente e conscientemente contra este instinto. Por qual razão eu devo achar que qualquer pessoa branca que anda na minha frente está com medo de mim? E se ela estiver o problema é todo dela. Admito que em algumas ocasiões tenho vontade de lhes perguntar diretamente "pra que toda essa tensão?" quando acabo por ultrapassa-las em minhas caminhadas de alta velocidade país afora.

E por ter esse tipo de mente alerta é que creio ter desenvolvido esse tipo de mecanismo. Não há pergunta sem resposta. Não há assunto sem conhecimento. Nem que seja para admitir que eu não sei do que se trata mas vou tratar de pesquisar para saber mais sobre isso.

Também é algo incutido desde criança. Não falar sobre aquilo que não se sabe e nunca inventar algo que se acha que sabe mas é mera ilusão. Os livros, enciclopédias, computadores e eventualmente os smartphones estão aí para isso. Checar os fatos em cima dos fatos para ter certeza de que ninguém está sendo ludibriado, incluindo a si mesmo.

Voltamos assim ao "não 'deitar'". Postura firme, cabeça em riste, peito estufado em toda ocasião. Um pequeno pavão com o rabo empinado por todo o lado.

I AM a glamour boy

#pensamentos