Pega, mata, e come

Cabeça de vento

Os dias de calor chegaram na terra que chamo hoje de "residência". Na verdade já haviam chegados há umas semanas antes, mas resolveram abrir ainda mais o maçarico esta semana.

As temperaturas pularam de mínimas e máximas entre 10°C ~ 20°C para 20°C ~ 36°C. E estamos ainda na primavera.

Para meus colegas de trabalho que residem em países muito mais frios e chuvosos, temperaturas tropicais como estas à primeira vista parecem uma maravilha. E seriam mesmo uma maravilha se eu tivesse trazido da minha terra natal o hábito de alguns dos meus colegas de trabalho que levavam para a praia o notebook e lá passavam todo o dia, aproveitando o calor, o mar e porque não a cerveja.

Mas infelizmente neste aspecto eu tenho que me reconhecer como um "fresco", talvez até no sentido literal da palavra. Porque minha produtividade, seja lá como esta pode ser medida e/ou quantificada, declina vertiginosamente em dias como o de hoje.

Tenho comigo um ventilador de 60cm de diâmetro e uma potência até bem grande que sobrou de um "divórcio" com um amigo de infância que virou companheiro de quarto nestas terras. Em seus mais de cinco anos de trabalho o ventilador só tem um problema crônico: um pino de segurança faltante, que faz com que o mesmo tenha que ser transportado sempre pela sua (muito pesada) base. Um defeito que acaba por forçar o usuário a transporta-lo da forma correta, no fim do dia.

Este será meu grande companheiro pelos próximos meses. Porque o país e os condomínios aqui tem muito apreço pelas fachadas dos prédios modernos e monocromáticos, e uma casa sem varanda não tem hipótese de colocar um sistema de ar condicionado mesmo que dentro dela as temperaturas cheguem aos 33°C.

Enquanto isso, olho para o horizonte e vejo um céu azul e roxo. Dos incêndios que já acometem as cidades das minhas redondezas, com suas plantações de eucalipto, pinheiro e outras árvores com tanta sede que secam totalmente a terra onde se instalam. Num país onde tais monoculturas são incentivadas pelo mercado e subsidiadas pelo governo, a equação sempre se resolve pelo desastre.

Dá-lhe, banho. Que a água fria já sai quente do chuveiro.

#cotidiano #pensamentos